Em um dado
momento no tempo, de um dia, um ano e um século carregado de pós-modernidade,
reuniram-se pessoas e seres “enigmáticos” para discutir pontos divergentes e
oportunidades de melhoria para um suposto grupo coralista. Deste momento
participaram diversos atores do mundo da música.
Nesse momento,
tratou-se de coisas importantes para vida da música entre nós. Tratou-se então da possibilidade de aulas de canto para quem
quisesse aprimorar sua performance, numa perspectiva desenvolvimentista clara,
e para aqueles que apresentassem mais dificuldades, evidentemente definidos pelo saber de um mestre; tratou-se da possibilidade de apresentações em diversos e possíveis eventos, o que
implicaria em uma maior observância de questões relativas à responsabilidade, tais como pontualidade, assiduidade, seriedade, e isso parece o óbvio. Outros assuntos, menos importantes
para esta análise também foram tratados, como a possibilidade de aulas de
instrum,ento musical para quem tivesse esse interesse; Também a possibilidade de respeito ao estatuto
vigente, sobre a eleição de dav coordenação do grupo, o que também implicaria na possibilidade de
conclusão de um novo Estatuto, cuja construção havia sido iniciada há meses.
A proposição desses elemntos de discussão foi longamente tratada, anteriormente, para, segundo uma das participantes: “alinhamento de discurso”, o que pressupõe, certamente, um embate político entre grupos. Mas será?! Por conta disso, é de causar espanto declarações, durante o encontro, sobre divergências internas dentro da Instituição promotora, além de um pedido de desculpas para que os membros do grupo musical, ali presentes, não pensassem que se queria, com as propostas apresentadas, ser o “dono do Coral”. Um discurso muito estranho e esquisito, tendo em vista a insistência no alinhamento de discursos anterior ao encontro, e declarações anteriores sobre quem, de fato, promove aquele grupo musical.
Os assuntos tratados nesse encontro foram atravessados por duas questões principais: o descompromisso/dificuldades de alguns participantes e a criação de um “subgrupo suposto saber” dentro daquele grupo musical, criando claramente um “apartheid” absurdo na estrutura do mesmo, o que vai totalmente contra a ideia desenvolvimentista anteriormente proposta, e reforçando uma ode ao descompromisso para alguns que, claramente, servem a propósitos obscuros, sejam políticos ou de gozo mórbido, com clara vinculação a uma estrutura perversa, e à pulsão de morte, em seu estado quase puro.
Sim, eu, que ora produzo este texto e esta avaliação, naquele encontro satânico, fiquei boa parte do tempo calado, observando e ouvindo todas as manobras para não se chegar ao cerne das questões, ou seja, a lugar algum em relação às questões principais e relevantes, uma espécie de “detournement du sujet”, até quando me foi cobrada uma fala. Ora, uma fala de quem tenta ver além da manobra, do senso comum, do escárnio da morte...do outro, evidentemente. Mas, infelizmente, eu não poderia navegar ali de braços dados com o Real, o Imaginário e o Simbólico, então usei o reforço da proposta educacional e tentei desmontar uma armadilha criada no seio daquele momento. Eu comecei dizendo que minha sugestão, que estava na pauta da discussão, era a criação de um grupo para aprendizado de canto e técnicas vocais, onde aqueles que sentissem maiores dificuldades pudessem melhorar suas performances, treinando fora do horário de ensaio daquele grupo cantante, evidentemente. Devo dizer que minha fala foi tumultuada por uma falação paralela inimaginável, num total e absoluto desrespeito à proposta e a mim.
Questionei
então... de onde surgiu esse discurso de que se queria que aqueles cantantes amadores
fossem profissionais do canto? pois em momento algum isso foi falado por mim,
ou por quem quer que seja, embora tenha, de fato, sido dito que foram
profissionais que avaliaram mal a performance do grupo. Uma fala extremamente
infeliz de avaliação de uma apresentação de Dia das Mães, onde foi usado o
termo totalmente fora de contexto. Então, alguém respondeu que isso
surgiu por minha culpa, pelas críticas que foram feitas por mim (forma e
conteúdo) sobre a tal apresentação de dia das mães, e que, apesar de quatro
pronunciamentos desfavoráveis, inclusive o do mestre, apenas o meu
pronunciamento parece ter gerado certa “revolta” por, supostamente, ter sido
mais contundente e pretensioso (isso dito nas entrelinhas). E assim, eu virei
um bode...are, satanás! Vade retro!
Oriundo da área de educação, inclusive devo dizer aqui que a psicanálise pode ser considerada como tal, pois o que produz a clínica nada mais é que um processo de aprendizagem, aprendizagem de si, e aprendizagem das relações com o meio. Acredito que nesse processo, e que se refere à própria relação humana, há momentos de elogiar e de criticar, evidentemente em um processo dialógico necessário, para citar o mestre Paulo Freire. Não acredito absolutamente na divisão criada, e essa é mais uma que lembramos aqui, sabe-se lá por qual espírito de porco, entre “críticas construtivas e críticas destrutivas”. Críticas são críticas, são sempre válidas, sejam elas da forma que forem, a não ser que sejam ataques, mas, e isso é o mais importante, críticas demandam reflexão e não melindres. Só não reflete sobre críticas quem tem alguma dificuldade psíquica de encarar o espelho, de se ver cara-a-cara. E nesse aspecto o casamento entre “o estilo “laissez-faire” e a ilusão da mentira”, do cego que se acerca do mito e vai, é perfeito.
Então, como essa pessoa oriunda da área de educação, tendo como norte a educação libertadora, em momento algum, e aqui abro espaço para pedir desculpas a quem “desavisadamente” se sentiu ofendido com minhas ações e falas, jamais busquei denegrir ou diminuir quem quer que seja, e sempre tive como norte o desenvolvimento humano, e o estímulo à manutenção da vida, em qualquer idade, o que significa manter aceso o desejo de saber. Esse é o cerne de minha formação profissional.
Mas há indivíduos que não pensam e não agem assim, que são movidos por suas próprias questões psicológicas. Que precisam manter alguns zumbis, seres semimortos como aqueles zumbis da seita Vodu, do Tahiti, para seu próprio gozo mórbido. Esse é o casamento perfeito entre o, supostamente, não querer aprender, não querer se desenvolver e esperar a morte, e o propiciar o gozo mórbido para uma estrutura perversa. Nesse ponto, e isso está claro para mim, me vejo isolado, já que voz dissonante e sem apoio de ninguém, - pelo menos ninguém que se pronuncie, que ouse! -, um ponto fora da curva, tacitamente convidado, diversas vezes, a me adaptar ou me adaptar...quem sabe até sair, …talvez. Nesse sentido, tenho a declarar que jamais me adaptarei à morte, antes dela mesma acontecer...e se acercar inexoravelmente de mim...sempre preferirei sair.
