A trama do filme se passa na décda de '60 do século passado, época em que a Guerra Fria corria solta, e a história é apresentada como uma espécie de fábula, onde a protagonista é uam espécie de "princesa sem voz". Muda e feliz, a faxineira Eliza Esposito trabalha numa base secreta dos Estados Unidos, e que inclui um laboratório comandado pelo Dr Hffstetler.
A trama tem início quando uma criatura é capturada nos confins da América do Sul, o eterno quintal do tio Sam, e levada para esse laboratório. Aos poucios Eliza vai se afeiçoando à criatura que, a partir de sua curiosidade e tentativas de contato, começa a se "afeiçoar" a ela. Não se pode dizer que a criatura é bonita, mas tem seus encantos e, de acordo com o ditado, quem o feio ama bontito lhe parece.
Nada é aleatório no filme, Com ele, Guilhermo del Toro usa diversas ferramentas cinematográficas para criar um ambiente mágico, repleto de alegorias , e que iluminam aqueles seres que não se ancaixam no mundo. Quando os norte-americanos decidem usa a criatura como cobaia na corrida espacial, Eliza solicita ajuda de um vizinho, Giles, um pintor fracassado, mas que, como ela, também é fã de musicais, e sua companheira de trabalho, sua voz, chamada Zelda. No geral a obra parece ser uma ode aos "outsiders", com uma produção cativantemente bela, e um elenco afiado ao ponto.
A Forma da Água, para além das
questões políticas e ambientais de exploração e expansionismo do imperialismo
que busca explorar, e da questão da guerra fria, é um filme sobre o ser humano e sua visão do mundo, a
partir dos supostos três níveis existenciais: o mundo superior, o mundo
inferior e o mundo humano, encontrados em todas as mitologias, em todas as
culturas.
No filme, o mundo dos deuses, o
mundo dos humanos e o submundo se entrelaçam na ideia de uma criatura que
carrega todas as características desses três níveis, um Deus produto da Água. O
que pode ser uma clara alusão à nossa origem mais primitiva, antes de nossa
migração, como seres que saíram da água para a ocupação e domínio da terra.
A forma da água é a forma
projetada da humanidade. É a forma perfeita às voltas com a degenerescência
produzida pelos seres humanos, e que sugere como solução um impossível retorno à água, mas
que sustenta a proposta de um resgate do equilíbrio com a própria natureza. Isso nos coloca diante da necessidade de revermos, urgentemente, nossa conduta diante da natureza e da vida, enquanto natureza perversa em relação à própria natureza, e enquanto ainda há tempo.
Sérgio Moab Amorim de Albuquerque - CRP 08/08067-7
Psicólogo / Servidor Público
Formação em Gestão Estratégica de Pessoas / Abordagem Psicanalítica / Sociologia Política
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