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quinta-feira, 29 de agosto de 2024

A ÉTICA DE SPINOZA E A ILUSÃO DE DEUS



No início era ou estava o verbo! 

Quem és?! 

EU SOU!

No grego, a palavra para verbo é logos, que também significa "palavra", mas muito mais, pois logos se refere à linguagem; ao pensamento ou razão; à norma ou regra, ao ser ou realidade íntima de alguma coisa, logo ao saber ou conhecimento. Conhecimento/Palavra ou Palavra/Conhecimento nos remetem à revolução cognitiva que nos trouxe até aqui.

"Por Sua palavra, Deus criou o mundo e tudo que existe (Hebreus 11:3)." Assim, a palavra de Deus representa seu poder e sua autoridade. O Verbo, então, é Deus, agindo no mundo, ou nele mesmo, e, de acordo com o livro de Gênesis, limitando o poder do homem, que, desobediente, precisou ser severamente punido.

Gostaria de começar este texto dizendo que Baruch de Spinoza foi um gênio, matematizou o pensamento ético assim como Lacan matematizou os discursos na Psicanálise, e é, de longe, um dos maiores filósofos de todos os tempos. Poder-se-ia dizer que este homem, que partiu muito cedo em sua época, usando a matemática para sustentar seu pensamento, foi um grande cientista, sendo a própria ciência a prática da filosofia. Não há ciência sem filosofia, assim como não há filosofia que não nos leve à prática da ciência. E essa parece ser a lógica de sua obra tão instigante. O uso da ética filosófica para a prática da razão.

Mas antes de navegar pelo cerne lógico da questão da ética em Spinoza, ou seja, Deus e o comportamento humano, ou ainda, o comportamento humano na construção da lógica divina, vamos tentar entender, primeiro, esse conceito da ética, que diz respeito à estrutura do comportamento humano na civilização. Para Platão a ética consistia na busca pela felicidade por meio não somente do comportamento de um único indivíduo, pois um indivíduo não pode ser feliz em uma comunidade viciosa, mas também a coletividade deve alcançar tal felicidade. Enquanto a ética é definida como a teoria, o conhecimento ou a ciência do comportamento moral, que busca explicar, compreender, justificar e criticar a moral ou as diversas morais de uma sociedade, a moral se refere aos modos, que submetido à vontade, propicia maneiras pelas quais se vivencia a ética. A ética é uma área da filosofia que busca problematizar as questões relativas a costumes e moral de uma sociedade, sem recorrer ao senso comum. A ética tenta estabelecer, de maneira moderada e com uma visão questionadora, o que é o certo e o errado, estabelecendo uma linha, muitas vezes tênue, entre bem e mal.

Como eu gostaria de encontrar Spinoza e bater um longo papo, e perguntar: sobre afetos, paixões, conatus, livre-arbítrio e desejo. Perguntar também se desdizer Deus dizendo foi uma estratégia para escapar das chamas criminosas da igreja católica, da absoluta soberba do judaísmo, ou da violência pulsional castradora presente no Islã?! No texto O Futuro de uma Ilusão, Sigmund Freud, um ateu convicto, um judeu sem Deus, como o nomeou Peter Gay, seu biógrafo, que, ao longo de sua vida profissional como neurologista e psicanalista, se dedicou a desvendar os mistérios do funcionamento psíquico, parece fazer uma crítica radical e bastante coerente, dentro da lógica psicanalítica, ao Deus pensado por Spinoza. Muito embora, no pensamento desse grande pensador, já encontramos traços claros do futuro, e longínquo, pensamento psicanalítico, como a ideia dos afetos e do desejo, e da construção da estrutura psíquica a partir do outro. Também a dinâmica pulsional já se encontra presente em Spinoza, pois, como nos diz ele, “quando imaginamos algo que comumente nos agrada por seu sabor, desejamos desfrutá-lo, ou seja, comê-lo. Mas enquanto assim o desfrutamos, o estômago torna-se cheio e o corpo fica diferentemente disposto. Se, pois, com o corpo agora diferentemente disposto, por um lado, a imagem desse alimento é, por sua presença, intensificada, e, consequentemente, é também intensificado o esforço ou o desejo por comê-lo, por outro lado, a esse esforço ou desejo, se oporá aquela nova disposição e, consequentemente, a presença do alimento que apetecíamos se tornará odiosa. É a isso que chamamos de fastio ou enfado.” (Spinoza, p.140), ou a relação escópica do empuxo de órgão frente ao objeto de satisfação libidinal. Em suas definições sobre os afetos, Spinoza declara que “o desejo é a própria essência do homem” (Spinoza, p. 140), e faz uma clara observação sobre o que Freud muito tempo depois, entenderia por um caos pulsional, quando declara que “compreendo, aqui, portanto, pelo nome de desejo, todos os esforços, todos os impulsos, apetites e volições do homem, que variam de acordo com o seu variável estado e que, não raramente, são a tal ponto opostos entre si que o homem é arrastado para todos os lados e não sabe para onde se dirigir. (Spinoza, p. 141).

Porém, o que se pode, muitas vezes, não perceber, ou não, é que o discurso pode estimular e proporcionar aquilo a que se propõe desconstruir, ou querer modificar no cotidiano humano, o que pode também ser compreendido como um traço esquizo perfeito, sendo a esquizofrenia a coexistência de duas realidades distintas, uma cisão da realidade.  Uma dubiedade intrigante e, a meu ver, ao mesmo tempo instigante está presente na conceituação de Deus em Spinoza. Mas talvez essa dubiedade faça parte da nossa projeção de Deus. Freud, em seu O Futuro de uma Ilusão, parece fazer uma crítica coerente ao Deus de Spinoza, quando declara que “no que tange aos problemas da religião, o homem é culpado de uma série de uns cem números de insinceridades e de vícios intelectuais. Os filósofos forçam o significado das palavras até não conseguir conservar mais nada de seu sentido primitivo, dão o nome de “Deus” a uma vaga abstração criada por eles e se apresentam diante do mundo como deístas, vangloriando-se de haver descoberto um conceito muito mais elevado e puro de Deus, mesmo que seu Deus não seja mais que uma sombra inexistente e não a poderosa personalidade do dogma religioso.” (Freud, in O Futuro de Uma Ilusão, numa tradução livre de um trecho do texto na edição espanhola das Obras Completas, Ed Nueva Madrid). O que Freud quis dizer aqui é que desdizer Deus colocando em seu lugar uma despersonalidade não ajuda em absolutamente nada em uma possível evolução na civilização, e ainda destitui o Totem, substituto do pai primevo, sem nada oferecer em troca. Freud, apesar de reconhecer a inexistência de Deus, entende a importância da estrutura para a formação psíquica do indivíduo e da civilização. Mas é evidente que esses conceitos não estavam presentes no tempo cultural de Spinoza, e sua ideia parece sempre desconstruir Deus afirmando sua existência.

Há uma passagem no Velho Testamento, em que Deus responde a Moisés: “Eu Sou”, ou seja, “aquilo cuja natureza não pode ser concebida senão como existente” (Spinoza, p.13). A partir dessa inferência, em consonância com o texto do velho testamento ou da torá, pode-se dizer que Deus seria absoluto, mas também indescritível, um verbo, uma ideia sem forma para a qual os humanos, necessitados de referência construíram uma forma e, por referência, “aqueles que confundem a natureza divina com a natureza humana, facilmente atribuem a deus afetos humanos, sobretudo à medida que também ignoram de que maneira os afetos são produzidos na mente.” (Spinoza, p. 16). É assim que, Spinoza, de forma absolutamente inteligente, utiliza as definições existentes de Deus para simplesmente negar sua existência. E vai muito além, quando afirma que Deus é absoluto porque Deus é a própria natureza, da qual tudo e todos fazem parte, sendo Deus unicamente um verbo.

O Deus-natureza de Spinoza é ao mesmo tempo absoluto e obsoleto, sendo este obsoleto nada a destituição do Deus projetado, mas, que ao mesmo tempo, também é conteúdo, conteúdo do não existir, do não ser, e, portanto, infinito, onipotente, onipresente, onisciente. “E se continuamos assim, até o infinito, conceberemos facilmente que a natureza inteira é um só indivíduo, cujas partes, isto é, todos os corpos, variam de infinitas maneiras, sem qualquer mudança do indivíduo inteiro.” (Spinoza, p. 65). Percebe-se que Spinoza utiliza o discurso religioso e seus conceitos de Deus em benefício de sua despersonalização de Deus. E afirma que “se os homens, entretanto, não têm, de Deus, um conhecimento tão claro quanto o que tem das noções comuns, é porque ligam o nome de Deus às imagens das coisas que eles estão acostumados a ver, o que dificilmente podem evitar, por serem continuamente afetados pelos corpos exteriores.” (Spinoza, p. 87). Ora, aqui, talvez sem o saber, Spinoza reconhece a importância do imaginário para a construção simbólica no homem.

Mas o Imaginário se assenta sempre sobre um Real, e é nesse lugar que podemos vislumbrar Deus, no Real impossível, o objeto pequeno a, ao redor do qual circula a construção simbólica humana. A partir dessa ideia, “vemos, assim, que, mais por preconceito do que por um verdadeiro conhecimento delas, os homens adquiriram o hábito de chamar de perfeitas ou de imperfeitas as coisas naturais. Com efeito, mostramos, (...), que a natureza não age em função de um fim, pois o ente eterno e infinito que chamamos Deus ou natureza age pela mesma necessidade pela qual existe. Mostramos, com efeito, que ele age pela mesma necessidade da natureza pela qual existe (...). Portanto, a razão ou a causa pela qual Deus ou a natureza age e aquela pela qual existe é uma só e a mesma. Logo, assim como não existe em função de qualquer fim, ele também não age dessa maneira. Em vez disso, assim como não tem qualquer fim em função do qual existir, tampouco tem qualquer princípio ou fim em função do qual agir.” (Spinoza, p. 156), e, portanto, se descortina assim a impossibilidade de Deus, impossibilidade como projeção humana e impossibilidade enquanto ente alcançável, e por isso é absoluto no infinito nada.

São as necessidades humanas de proteção, sobretudo se remontarmos aos primórdios da existência, quando ocupávamos as cavernas para nos proteger, e pouco compreendíamos das forças da natureza, mas dávamos os primeiros passos na Revolução Cognitiva que, passamos a imaginar “que o sol está tão próximo não por ignorarmos a distância verdadeira, mas porque a mente concebe o tamanho do sol apenas à medida que o corpo é por ele afetado.” (Spinoza, p.160). Esta afirmação de Spinoza nos remete à ideia de que o mundo existe, da forma que existe, a partir de nossas sensações e necessidades. É verdade, o mundo é nomeado de acordo com nossa conveniência. Uma árvore não sabe que é uma árvore, ela simplesmente é, assim como uma cadeira não sabe que é uma cadeira, ou para que serve, elas apenas são, e se prestam àquilo que nos convém. Nós as nomeamos, damos-lhes um sentido para existir, ou não, conforme as transformamos em objetos desejados por nós, em função de nossas necessidades.

Mas a grande questão, subjacente, presente em Spinoza é a construção humana de Deus, e uma descrição do deus do antigo testamento, na obra Deus, um Delírio, de Richard Dawkins, segundo a qual, ele “é talvez o personagem mais desagradável da ficção: ciumento, e com orgulho; controlador, mesquinho, injusto e intransigente; genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo.” (Dawkins, p. 55), parece confirmar o nosso espelhamento em Deus, já que todas essas características sustentam a verdade do maior predador que jamais existiu na natureza.  Sim, nós mesmos. Nós, os humanos, projetamos um deus à nossa imagem e semelhança. Todas as mazelas que permeiam a nossa existência foram transferidas para esse Deus, e desfilam diuturnamente nos noticiários de nosso dia a dia existencial. Apenas “aqueles que são acostumados desde a infância ao jeitão dele podem ficar dessensibilizados com o terror que sentem. Um naif dotado da perspectiva da inocência tem uma percepção mais clara.” (Dawkins, p. 55). Mesmo o suposto Deus da bondade, da ligação libidinal, da partilha e do desprendimento, pode ser uma projeção, ou não, já que este Deus seria eminentemente humano, e destituiu o Deus dos Céus. Mas, um ou outro, nos levam a pensar no campo pulsional, seja este dual, como queria Freud, ou uno, sob o qual se constrói a dualidade, como sugeriu Lacan.

No tocante ao mundo das religiões, uma instituição da Cultura na Civilização, “o grande e indizível mal no cerne da nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da idade do Bronze, conhecido como Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas – o judaísmo, o cristianismo e o islã. São religiões de deus-no-céu. São, literalmente, patriarcais – Deus o Pai Onipotente -, daí o desprezo às mulheres por 2 mil anos nos países afligidos pelo deus-no-céu e seus enviados masculinos terrestres. Gore Vidal.” (Dawkins, p. 63). Na verdade, o monoteísmo não tem sua origem em Abraão, mas em origens bem mais antigas, como no culto ao círculo solar de Akhenaton, que provocou uma verdadeira Revolução no Egito Antigo, e posteriormente, com a morte de Akhenaton o restabelecimento do domínio de Amon e sua corte politeísta. Coincidentemente, foi, talvez, a partir de um príncipe egípcio, que surgiu a primeira Religião monoteísta pós Akhenaton, e que surgiu com uma força de uma Lei titânica, provavelmente pela morte violenta desse príncipe, repetindo o mito do pai primevo, e estabelecendo as bases do judaísmo e sua descendência. Assim, “a mais antiga das três religiões abraâmicas, e a clara ancestral das outras duas, é o judaísmo: originalmente um culto tribal a um Deus único e desagradável, que tinha uma obsessão mórbida por restrições sexuais, pelo cheiro de carne queimada, por sua superioridade em relação aos deuses rivais e pelo exclusivismo de sua tribo desértica escolhida.” (Dawkins, p. 63). E para esta tribo, o suposto Deus de Israel apontou o caminho, definiu o espaço, ordenou a morte dos ocupantes originários das terras, coisa que seus súditos seguem fazendo até os dias atuais, e o exigiu que o glorificassem eternamente, até sua suposta vinda dos céus, em suposto Juizo Final. Deus é, sem sombra de dúvidas, o maior e mais eficiente mecanismo de defesa já criado pelos humanos. Se deus preenche lacunas, e as lacunas impulsionam o homem desejante, deus é assim a negação e o tamponamento do desejo.

Os humanos, ocupando o lugar mais alto no pódio dos maiores predadores da natureza, “parecem ter sido lindamente “projetados” para capturar suas presas, enquanto as presas parecem tão lindamente “projetadas” quanto para escapar deles. De que lado Deus está?” (Dawkins, p. 182). Teria criado Deus presa e predador apenas para sua diversão?! Mas há uma outra questão, bem mais afeta à psicanálise que a filosofia, e que diz respeito a certas práticas dentro do monoteísmo, e que são as práticas autodestrutivas como forma de combate ao outro, e que não estão circunscritas ao campo da religião. “Os homens-bomba fazem o que fazem porque acreditam mesmo no que lhes ensinaram nas escolas religiosas: que o dever para com Deus supera todas as outras prioridades, e que o martírio a serviço dele será recompensado nos jardins do Paraíso. E eles aprenderam essa lição não necessariamente com extremistas fanáticos, mas com instrutores religiosos decentes, gentis, normais, que os colocaram em fileiras em suas madraçais (casa de estudos islâmicos), abaixando e levantando ritmadamente a cabecinha enquanto aprendiam cada palavra do livro sagrado, como papagaios malucos. A fé pode ser perigosíssima, e implantá-la deliberadamente na cabeça de uma criança inocente é gravemente errado.” (Dawkins, p. 395). Mas há questões de um mais além aqui, que não diz respeito apenas ao aprendizado, mas ao impulso para a morte e a autodestruição, tão presente, de diversas formas, na história humana ao longo do tempo.

Mas a religião não é só destruição, ela também liga e “oferece consolo e reconforto. Ela estimula o sentimento de união. Ela satisfaz nosso desejo de entender por que existimos. (Dawkins, p. 215), embora prescindindo de toda e qualquer racionalidade. “Martinho Lutero sabia bem que a razão é a arquiinimiga da religião. E frequentemente advertia sobre seus perigos. “A razão é o maior inimigo que a fé possui; ela nunca aparece para contribuir com as coisas espirituais, mas com frequência entra em confronto com a palavra divina, tratando com desdém tudo que emana da palavra de Deus.” De novo: “Quem quiser ser cristão deve arrancar os olhos da razão.” E de novo: “A razão deve ser destruída em todos os cristãos.””  (Dawkins, p. 251). Durante séculos a religião católica cerceou o desejo de saber, proibindo, perseguindo e até destruindo quem se atrevesse a questionar seus dogmas, suas fantasias e seus delírios.

Para o elemento humano, a questão da religião não é de ser o bem ou o mal, mas de ajudar a lidar com insuportável realidade da finitude da vida, após uma suposta expulsão do paraíso. Além disso, “Se você acha que, na ausência de Deus, “cometeria roubos, estupros e assassinatos”, revela-se uma pessoa imoral, “e faríamos bem em nos manter bem longe de você”. Se, por outro lado, você admite que continuaria sendo uma boa pessoa mesmo quando não estiver sob a vigilância divina, você destruiu fatalmente a alegação de que Deus é necessário para que sejamos bons.” (Dawkins, p. 295-296), e você foi inundado pela razão. Mas também “é preciso dizer, para ser justo, que grande parte da Bíblia não é sistematicamente cruel, mas simplesmente estranha, como seria de esperar de uma antologia caótica de documentos desconjuntados, escrita, revisada, traduzida, distorcida e “melhorada” por centenas de autores anônimos, editores e copiadores, que desconhecemos e que não se conheciam entre si, ao longo de nove séculos.” (Dawkins, p. 305-306), e que nasceu dentro e como um poder de Estado, nas três vertentes do monoteísmo, sendo o Catolicismo a mais emblemática nesse sentido, e a mais bem sucedida experiência de uma religião que sobreviveu ao fim do Estado que a criou, e que, tendo ela própria se tornado um supra Estado, possui uma enorme abrangência global.

Mas a crítica freudiana ao Deus de Spinoza é perfeitamente compreensível, porque o Deus de Spinoza é um Deus do Não-lugar, um Deus que é sem realmente sê-lo. Embora, se pensarmos no nó górdio lacaniano, o Deus de Spinoza estaria exatamente no centro, no lugar do objeto pequeno a que é indizível, inalcançável, intocável, impossível. Mas insisto em afirmar que foi uma forma extremamente inteligente de dizer da não existência de Deus, peremptoriamente afirmando-o, o que confirma e reconfirma a genialidade de Spinoza.  E para finalizar esta minha humilde avaliação, uma frase do livro de Richard Dawkins se faz eclodir com a sutileza de uma erupção vulcânica, como a obra de Spinoza: “O fato de um crente ser mais feliz que um cético não quer dizer muito mais que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio.” (Dawkins, p. 220).

Sérgio Moab Amorim de Albuquerque - CRP 08/08067-7
Psicólogo / Servidor Público
Formação em Gestão Estratégica de Pessoas / Abordagem Psicanalítica / Sociologia Política
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