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segunda-feira, 17 de março de 2025

A MEDIDA DO OUTRO PELA PRÓPRIA MEDIDA E A RUPTURA DA FRATERNIDADE...OU APENAS UM DESABAFO!

 

É da lógica da dinâmica psíquica projetar no outro aquilo que ainda não está completamente apaziguado em si. Em um certo sentido,  isso poderia atravessar o social como o benefício da dúvida e, consequentemente, da possibilidade de crescimento. Infelizmente, apesar de parecer benéfico numa certa medida, é, também, exatamente assim que surgem as discórdias e a violência entre os pares.

 

Mas em tempos tão conturbados, de recrudescimento da violência sistêmica, de cancelamento do futuro possível, e de manipulação para a construção de um novo humano desumanizado, é estarrecedor, até mesmo frustrante e constrangedor, vivenciar, na prática, o ódio e a estupidez que se apresenta entre esses pares. Os servidores da Previdência Social, seguindo a lógica manipulada pelo sistema, estão divididos e babando ódio uns pelos outros. De um lado aqueles que vivenciaram as lutas contra a opressão do sistema na segunda metade do século XX e também no início do XXI, e que, mesmo em uma fase da vida em que deveriam estar mais tranquilos, continuam a lutar pelo bem comum, do outro lado aqueles que não vivenciaram estas lutas, mas que foram infinitamente forjados e influenciados pela ideologia neoliberal que, entre outras características, tenta reimplantar a Lei da selva, anti civilizatória, do homem como lobo do homem, e que, para tanto, fortaleceu o individualismo e a personalidade narcísica, além de uma ode à estupidez e uma aversão absoluta ao conhecimento e à educação. Concomitante a isso, o avanço tecnológico mortifica o animal humano, escravizando-o, isolando-o cada vez mais do outro da relação, condição necessária para Ser, e projetando um futuro sombrio, onde o corpo, desde a revolução cognitiva, já perverso em relação à natureza, simplesmente passa a não ter mais importância alguma, sendo este o ápice da perversão em relação ao natural da natureza e à própria vida.

 

Mas, voltemos ao cancelamento da relação entre os pares, se ainda é possível assim nomea-los, dentro da Previdência Social brasileira. O Sindicato da categoria, composto em sua grande maioria por aqueles servidores mais experientes nas lutas contra a opressão do poder sistêmico, tem tentado, além de continuar sempre o embate direto com o poder patronal, chamar esses servidores, ditos novos, - talvez novos zumbis! -, para o aprimoramento da discussão política, sem sucesso algum. Parece que estes cidadãos foram, de fato, encantados pelo canto da sereia, além de dominados completamente pela manipulação neoliberal de transformação dos indivíduos em zumbis do capital, estimulados a se acreditarem seres mais preparados do que aqueles que estão na batalha desde há muito. Esses pobres coitados não percebem onde os estão colocando, talvez por desconhecerem o conceito de Uberização, vinculado à ideologia neoliberal. Infelizmente, essa divisão só levará a todos à ruína, onde os próprios trabalhadores da Previdência preparam, com suas atitudes egocêntricas e divisionistas, o ataque final e definitivo do poder sistêmico ao que ainda resta de uma política construída para salvaguardar a existência de todos diante da voracidade do capitalismo, sem cotraponto, no terceiro milênio.

 

É interessante, e ao mesmo tempo muito triste, que conceitos como Modernidade Líquida e Banalidade do Mal, além de pensamentos como os de Deleuze, sobre a super potencialização do poder na era digital, e de Ecco, sobre o fato da imbecilidade ser alçada ao podium a partir da internet, possam ser extremamente bem identificados nesse processo. Quando um ser completamente imbecilizado sugere que lutadores, lugar que o imbecil não consegue, e, provavelmente, jamais conseguiria ocupar, não precisariam lutar, ou que, se o fazem, não precisariam comer..., facilmente identifica-se a liquidez das relações, a profunda maldade, a mão do poder super opressor da modernidade sobre este indivíduo, e a total imbecilização do sujeito da compreensão, se sobra nessa personalidade algum resquício de uma estrutura capaz de compreensão.

 

ùltimamente, o tesão está indo pelo ralo, e como já dizia um autor falecido "sem tesão, não há solução", e a paciência para o embate com certas portas está se esgotando. Tendo passado tantos anos estudando e batalhando por uma Instituição melhor, por uma qualidade de vida funcional melhor para todas e todos, sem nenhuma perspectiva pessoal, tendo em vista ter praticamente abandonado o sonho da docência na Universidade para continuar ensinando e analisando na Instituição, ter que saber da fala de uma porta dessas, - que deve se acreditar uma sapiência!, que num processo em que, como sabido, tudo está interligado, a nossa luta é desnecessária porque uma coisa não tem nada a ver com a outra, pois "o orçamento já foi aprovado e uma hora sai", sendo desnecessária qualquer tipo de luta, é o fim da pícada! É um desconhecimento total e absoluto do processo político, sobretudo do processo político brasileiro, após a experiência protofascista que vivenciamos no período de '16 a '22. Penso que o maior problema dessa gente estúpida não é um processo de enlouquecimento, mas burrice pura e simplesmente, estupidez servil e subserviente. Talvez a dita porta ache que o cu nada tem a ver com a boca, apesar de ambos fazerem parte do mesmo sistema digestivo. E pois bem, no meio dessa luta fratricida, já se vislumbra o grande vencedor, que só descobrirá quem, no meio dessa turba, ainda tenha um pouquinho de discernimento neste mar de merda infra cognitivo, pelo qual somos obrigados, todas e todos, a navegar.


Sérgio Moab Amorim de Albuquerque - CRP 08/08067-7
Psicólogo / Servidor Público
Formação em Gestão Estratégica de Pessoas / Abordagem Psicanalítica / Sociologia Política

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