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segunda-feira, 17 de março de 2025

O AVANÇO DA EXTREMA DIREITA NO MUNDO, OU, O QUE QUER A EXTREMA DIREITA

 O que não se percebe, ou não, para não sabotar a presunção da dúvida, é que o avanço da extrema direita em todas as partes dos espaços humanos do planeta é, na verdade, a busca pelo afrouxamento, na civilização, de processos civilizatórios necessários à existência da própria civilização. Tais processos relegam ao nível do inconsciente características predatórias primárias que, sem os quais, livres de qualquer recalque, como em período anterior à aquisição da consciência, anterior mesmo à revolução cognitiva, fazem-nos mergulhar na horda primitiva. Ao nos afastar continuamente, ao longo do tempo, do natural da natureza, de forma lenta e complexa, esses processos propiciaram nosso mergulho na civilização.

 

Como muito bem frisou, na abertura do seminário sobre o processo de desconstrução do regime jurídico único dos servidores federais do Brasil, e promovido pela Frente Parlamentar Mista do Serviço Público, no dia 11/03/2025, o deputado Reimont Luiz Otoni Santa Bárbara, do PT do Rio de Janeiro, tudo está interligado. Nesse sentido, também não dá para pensar nos ataques neoliberais da extrema direita sem pensar nos mecanismos estruturais produzidos pela característica predatória humana, que sustentam o sistema econômico sob o qual sobrevivemos, e que, fazendo seu contrário, sustentam a possibilidade ou não de manutenção da civilização.

 

Para salvaguardar o existir é preciso reforçar os mecanismos que dão suporte à civilização humana, que controla e subjuga a predação, valorizando e encorpando todas as formas de união entre os seres da compreensão, propiciando as ações comuns de existência, enfim de mecanismos de valorização e de suporte à vida. Para tanto é preciso combater todos os mecanismos de desligamento da vida e da possibilidade do existir.

 

Vivenciamos, hoje, nos dias que vão, um momento trágico de nossa existência no planeta, em que se recrudescem mundo afora os ataques ao meio ambiente, ao outro de uma maneira geral, ao conhecimento e ao saber, e à vida como um todo. Todos os mecanismos criados pela civilização, de compreensão e/ou manutenção da vida, são atacados em função de uma pseudoliberdade, divulgada à torta e à direita, que simplesmente não existe. No meio social, a liberdade é a medida da existência do outro. A liberdade absoluta, que prega o neoliberalismo, só é possível na morte, sendo a liberdade possível, inexoravelmente atrelada à manutenção da civilização. 


O neoliberalismo, com seu canto de sereia, que acena para aquele humano “desavisado” com as impossibilidades libertárias do existir, não apenas tenta aprimorar o processo predatório do homem pelo homem, mas de forma subjacente prepara o terreno para um “gran finale” da humanidade, assim como sonham certas doutrinas religiosas de extrema direita com o Armagedom, e não apenas sonham, preparam o terreno para que ele se realize. Ou seja, tudo que se nega via extrema direita é a própria vida, ilusoriamente atrelado este fim ao outro, o outro que incomoda, o outro que se crê menor, mas que, negando essa relação e o ambiente natural, busca-se levar toda a civilização a um termo, e ao retorno do humano ao inanimado, extinguindo a vida para o gozo supremo de Deus. 


O discurso político é sempre um discurso encobridor, que, como o discurso do mestre, traz complexidade ao jogo predatório do Capital, dificultando a claridade, para além desse discurso, do desejo de morte de si, que, antes, sugere o desejo de morte do outro. Na política, cabe a cada um de nós escolher, nesse jogo de cena que constitui a civilização, sermos agentes de vida, se trabalhamos pelo coletivo e pela coletivização dos meios de produção, ou sermos agentes de morte, se trabalhamos em prol do egoísmo e do individualismo, numa ode a Narciso, que, - não esqueçamos!, também se afoga pelo encantamento com sua imagem, e do consequente fim da existência.


Sérgio Moab Amorim de Albuquerque - CRP 08/08067-7
Psicólogo / Servidor Público
Formação em Gestão Estratégica de Pessoas / Abordagem Psicanalítica / Sociologia Política

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